Última alteração: 2012-11-07
Resumo
A produção do espaço urbano da cidade de João Pessoa como tratado neste trabalho é reflexo e condicionante social de uma complexidade criada a partir da divisão de classes no interior da urbe. A organização espacial da cidade ou, simplesmente, o espaço urbano é fruto do trabalho dos agentes sociais: a) os proprietários dos meios de produção, b) os proprietários fundiários, c) os promotores imobiliários, d) o Estado e e) os grupos sociais excluídos. Realizamos um estudo investigativo, em acervos históricos e bibliotecas de órgãos públicos, tratamento e análise dos dados coletados, interpretação de fotografias e de visitas às secretarias estaduais e municipais que tratam da política urbana/social. Os grupos sociais excluídos produziram 101 favelas em apenas 38 bairros dos 60 existentes na cidade de João Pessoa, deixando apenas 22 bairros sem a presença delas. A expansão para leste da cidade foi impedida por vários fatores de ordem física, como as áreas pantanosa, da Lagoa do Irerês (Lagoa do Parque Solon de Lucena), e por falta de infra-estrutura. Por outro lado, no fim da década de 50 para início da década de 60 do século XX, as cidades brasileiras, passavam por várias melhorias urbanísticas no seu interior, em detrimento da industrialização e urbanização que se alastravam por todo o país, sendo necessário, algumas intervenções públicas, a exemplo do saneamento básico e da pavimentação. Outrossim, nos anos 50 destacamos a ampliação do sistema viário e construção de várias rodovias influenciadas pelo crescimento econômico que repercutiu também na capital João Pessoa, onde ruas foram abertas e outras tiveram que ser alagadas para dar lugar ao automóvel. Na cidade de João Pessoa, dois vetores viários foram importantes para o seu crescimento. No ano de 2000, a população das favelas era de 112.277 mil habitantes, 24.314 domicílios, com média de 4,6 pessoas por família.