Tamanho da fonte:
NARRATIVAS VISUAIS: DIÁLOGOS ENTRE APRENDIZAGEM, IDENTIDADE E REMEMORAÇÃO
Última alteração: 2019-11-05
Resumo
Esse estudo objetivou compreender e evidenciar as potencialidades educacionais do projeto de extensão, intitulado "Narrativas Visuais: a Vida como Obra de Arte", vinculado ao IFTO - Campus Paraíso do Tocantins. Desde sua implantação, o referido projeto parte de uma ação interdisciplinar, nos bairros periféricos da cidade de Paraíso do Tocantins - TO, com o intuito de ampliar a aproximação entre estudantes, escola e comunidade para, assim, promover uma prática pedagógica de ensinar e de aprender por meio do diálogo entre gerações, tendo a arte visual, a memória coletiva e o espaço urbano como mediadores. Esse projeto de extensão procurou capacitar, estimular e provocar os participantes a produzirem obras artísticas que dialogam com as memórias individuais e coletivas do seu contexto social, de forma que os saberes e as experiências da comunidade, em especial, os dos mais velhos, possam ser reconhecidos e incorporados aos dos jovens estudantes, procurando produzir novos saberes e incluir esses estudantes e sua escola no cerne do processo de enraizamento e pertencimento de sua comunidade. Diante desta perspectiva, a prática educativa desta investigação constituiu-se nas perspectivas do diálogo-problematizador de Paulo Freire (1996, 2011a, 2011b). Enquanto que o estudo da memória parte das fundamentações de Halbwachs (2004), em referência a memória coletiva, e dos estudos de Nora (1993), no tocante aos lugares de memória. Já a relação entre arte, memória e espaço urbano, articulada nesta pesquisa, toma como base teórico-metodológica as perspectivas de Walter Benjamin (1984, 1993a, 1993b) à luz da sua concepção de que a memória constitui-se de um passado atualizado como experiência, tendo a estética e a poética como mediadoras. A metodologia desta pesquisa organizou-se a partir de um estudo exploratório de natureza qualitativa, tendo como lócus da pesquisa o espaço urbano e como sujeitos investigados jovens, em situações de vulnerabilidade social, que frequentam o ensino médio, no IFTO - Campus Paraíso, e alguns cidadãos membros da comunidade. Os dados investigados foram obtidos a partir dos enunciados extraídos de interações em oficinas artísticas, em rodas de conversas e em demais práticas da pesquisa de campo. As produções visuais e as narrativas textuais, orais e visuais por elas evocadas também constituíram-se como fontes para a investigação. Os resultados parciais dessa pesquisa apontam que a metodologia do Projeto de Extensão investigado está possibilitando que, gradativamente, os estudantes participantes tornem-se capazes de (re)ssignificar e (re)escrever a história do seu próprio tempo e espaço, ao passo em que aprendem e ensinam criticamente, articulando o passado no novo, um passado atualizado como experiência, o qual se revela não como monumentalização do tempo, mas como revitalização, dignificação e humanização da memória. Em suma, evidencia-se novos caminhos metodológicos que podem contribuir para uma educação interdisciplinar para/pela memória que se destaque como desveladora das tramas sociais.
Texto completo:
PDF