Última alteração: 2019-10-25
Resumo
Este artigo tem como objetivo fazer uma análise dos adoecimentos por transtornos mentais que geraram afastamento do trabalho de professores do Instituto Federal do Tocantins – IFTO no período de aproximadamente 8 anos, de 1 de junho de 2011 a 31 de novembro de 2018. Esta análise abre espaços para o desenvolvimento de ações presentes e futuras, à luz da psicodinâmica do trabalho, que visem desenvolver, reforçar ou rever políticas e práticas de gestão que sejam de fato promotoras de saúde e bem-estar no trabalho e que não sejam geradoras ou reforçadoras de sofrimento patogênico e de adoecimento. A coleta de dados se deu por meio de consulta ao Sistema Siape-Saúde para posterior organização dos dados por meio de software Microsoft Excel e análise das informações das seguintes variáveis: CID atribuído pelo médico no laudo apresentado pelo professor e homologado pelo Siass-TO, número de casos de afastamentos, total de dias de afastamento, número de professores afastados, sexo dos professores afastados e faixa etária dos professores afastados. Os resultados revelam um crescimento expressivo do número casos e de dias de afastamento por atribuição de CID F ao longo de 8 anos. Os casos de CID F mais prevalentes nos afastamentos são pela ordem: 1) transtornos depressivos, 2) transtornos de ansiedade ou mistos de ansiedade e depressão e 3) reações agudas e graves ao stress, transtornos de adaptação e stress pós-traumático. Os professores do sexo feminino são em geral mais vulneráveis que os do sexo masculino para todos os casos de CID F e a faixa etária entre 36 e 50 anos se mostra a mais vulnerável para todos os casos. Ações de sensibilização e de esclarecimento são recomendadas, assim como a implementação de clínicas do trabalho em todos os campi conforme a demanda dos próprios professores para enfrentamento deste processo de adoecimento.