Última alteração: 2012-09-03
Resumo
A obra do dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues atribui um relativismo ao sentido de monstro, estabelecendo assim uma crise na relação do certo e errado que em tempos atuais se mostra bastante presente na construção social. Seus personagens poderiam ser entendidos sob a ótica de alguns teóricos como Sigmund Freud, Júlio Jeha e Dulce Whitaker, como monstros sociais. Esses monstros, segundo tais autores, podem assumir o aspecto de adorável para alguns e abominável para outros. O monstro nasce quando determinado ser tem características que a sociedade (ou alguns tipos de construções e grupos sociais) acaba por tratar como impróprias, ou seja, fogem do padrão de como ela pensa e concebe. Dessa maneira, o monstro nasce a partir de características e ações, que para a sociedade de uma época (ou para além dela), são impróprias, de maneira que quando alguém se revela com essas características “contrárias” ao que prega a sociedade acaba despertando a ira naqueles que também gostariam de se mostrar, mas não se mostram. É aí que surge o mostro entre indivíduos, ou o monstro social. No ano do centenário de Nelson, visitar o seu universo dramatúrgico mostra-se necessário, já que o mesmo se encontra completamente povoado por esses seres. Assim, ao longo deste trabalho, abordaremos a estética de Nelson Rodrigues, sob os pressupostos filosóficos dos autores citados acima buscando, dessa forma, apontar na obra o modo como se situa na troca de relações sociais, o que a sociedade abomina e o que ela deseja e o seu permanente confronto entre o lícito e o ilícito. Tudo isso passando pela representação da entidade monstruosa, identificada e entendida na obra do autor.